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A sobrecarga familiar na experiência de cuidar de um idoso dependente

Psicólogo Jaime Grácio

A experiência de cuidar no envelhecimento assume um papel fundamental nos dias de hoje, em grande parte devido às dificuldades que as sociedades atuais colocam às pessoas na prestação de cuidados diretos dentro da família.

É muito fácil um familiar de um idoso dependente ficar sobrecarregado física e emocionalmente em poucos meses de prestação de cuidados, com consequências graves para a qualidade de vida de ambos. Com frequência observamos níveis elevados de ansiedade e depressão nos cuidadores familiares, que resultam naturalmente em dificuldades na experiência do cuidar e numa diminuição da qualidade dos cuidados prestados ao idoso, muitas vezes acentuando ou agravando, não intencionalmente o problema.

É muito natural que esta sobrecarga se instale, e deve assumir-se isso, não como uma fragilidade, mas como algo que acontece a quem está mais envolvido e numa perspetiva clara de ajudar. Existem duas formas gerais para um cuidador reduzir a sua sobrecarga:

(1) pelo recurso de serviços que o auxiliem na prestação de cuidados;(2) estratégias pessoais para reduzir o stress.


Efetivamente, a redução da sobrecarga na experiência do cuidar, pode começar com a procura ativa de serviços que diminuam parte das tarefas de apoio. Por exemplo, recursos comunitários, que podem ser utilizados apenas algumas horas por semana, poderão fazer uma diferença muito significativa. Esses recursos poderão passar por grupos de convívio, atividade física adaptada, ateliers de arte, grupos religiosos ou serviços personalizados de apoio domiciliário para ajuda nas atividades diárias de alimentação e limpeza ou atividade ocupacional (por exemplo, saídas ao exterior acompanhadas por um cuidador profissional).

O nível de auxílio necessário poderá ser variável, de algumas horas por semana a um contacto diário. Muitas vezes, começar por uma solução gradual poderá ser uma boa forma para se perceber qual é o nível de ajuda externa mais adequado. A ajuda de terceiros, implicará na sua globalidade, mais disponibilidade para o cuidador cuidar de si próprio, permitindo naturalmente providenciar uma assistência com mais qualidade quando está com o idoso.

Em relação ao segundo ponto, as estratégias pessoais para reduzir o stress, destacam-se: (1) identificar os pensamentos negativos que o cuidador familiar tem em relação à situação e substituí-los por outros pensamentos alternativos mais positivos; (2) dosear o planeamento de atividades de prazer com as obrigações diárias; (3) frequentar grupos de suporte para familiares cuidadores; (4) aprender com os profissionais estratégias comportamentais para lidar com situações problemáticas; e (5) treino de estratégias para lidar com a ansiedade.

Em suma, a sobrecarga do cuidador é uma situação natural na experiência de cuidar de um idoso dependente, problema que deve ser abordado com o recurso a serviços especializados e mudanças pessoais para lidar com o stress. Desta forma será possível prevenir situações de desgaste ou exaustão, que resultariam numa diminuição grave da qualidade de vida dos intervenientes.

Mito do Envelhecimento

Mito: Com o envelhecimento há um progressivo afastamento dos interesses.

Facto: Muitas pessoas não só continuam interessadas nos vários planos sociais e familiares, como também é nesta etapa que participam ainda mais.